Pensando nos nomes dados aos pratos do restaurant week no ano da França no Brasil, achei justo esclarecer os dois "toques" parisienses. Foi lendo "A morte do Gourmet" da francesa Muriel Barbery que pude voltar magicamente ao sabores e cheiros que Paris me proporcionou em minha última visita. Reflexões de pós viagem que marcam a alma com uma incrível nostalgia daquilo que se deixou passar, acredito que essa sensação me invade para que possa voltar as lembranças e cidades que deixei para trás.

O nome para as "trouxinhas Marais", foi dado em homenagem ao bairro judeu e gay de Paris. O Marais encanta pela singularidade das ruas que misturam o moderno e o antigo, pela variedade de pessoas, lojas e lugares para comer, beber e dançar. O desejo foi capturar um pouquinho dessa essência no prato e provocar o paladar, assim como é provocativo o bairro que fica na margem direita do Sena.

Quanto ao Sorbet escolhido para acompanhar o petit gateau de nutella, veio da ideia que não existe nada mais sublime que um sorvete, mas não um simples sorvete, me refiro aquele que refresca e entrega a fruta ao paladar. Coloco aqui um trecho do livro onde o gourmet descreve o sorbet. "Assim, propor soberts, onde outros sonham com sorvetes já é fazer a opção pela leveza, é escolher o requinte, é propor uma visão áerea que recusa a pesada marcha terrestre em horizonte fechado." ( A morte do gourmet, p. 108)

Fica a reflexão sobre essas lembranças de Paris.